Começando com um exemplo ruim

07/12/2017

Esse prédio, localizado na Vila Madalena, é um bom exemplo de arquitetura ruim. A fachada, recortada em váios volumes, lembra um tabuleiro - monótona e na verdade mais feia do que um tabuleiro. A partir do Modernismo, pode-se criar um visual quadriculado na Arquitetura, jogar com as cores, os contrastes, lembrando a arte abstrata geométrica.
A proposta 'geométrica' no entanto, precisa ser assumida e bem realizada. A pureza das linhas retas deve ser, em geral, preservada. Detalhes, reentrâncias, esquadrias mal desenhadas, tudo isso não favorece a beleza racional da ortogonalidade (ortogonais são as linhas perpendiculares do gráfico-eixo X e Y, como aprendemos na escola).

Olhe bem. O prédio tem vários volumes em posições distintas: à frente, os pilares de sustentação verticais, mais atrás, as linhas horizontais das lajes; mais atrás ainda, o gradil dos terraços em alumínio e vidro; mais recuados, outros pilares semi-escondidos; depois, duas paredes em posições diferentes, uma delas determinando a área do terraço. E um inexplicável FOSSO central no meio do prédio. Um excesso de informações que não se junta. Antigamente, tentava-se aglomerar vários apartamentos na planta do mesmo andar, e o único jeito era criar um fosso de ventilação para banheiros, áreas de serviço etc. Um espaço sempre feio. Mas esse prédio conseguiu a proeza de colocar um fosso na fachada principal. Espremido, dá a sensação de claustrofobia, um espaço sem função. A árvore tenta disfarçar esse espaço perdido, mas a função do paisagismo não é essa. 

O volume sobre o prédio lembra um bolo de casamento. Os pilares não tem um 'fim', se perdem aqui e ali, soltos no ar, parecem sem 'acabamento'. Concluímos que esse excesso de detalhes, de planos recortados, as cores sem vida ou contraste, resulta num dos piores exemplos de fachada de prédio que podemos encontrar em São Paulo.